Nos campos solitários de uma vida, eu caminho por entre as árvores da saudade,
vejo a minha volta as flores da mocidade,
e estampado em meu rosto está o desejo da sinceridade por onde corre meus pensamentos,
a contemplar o vinho da sobrevivência, por onde um dia eu matei a sede da realidade.
Foi então que eis a mocidade lançada nas garras de uma decepção,
onde dissipou o primeiro desejo e o primeiro anseio de amor- sentimento.
Desde então, as flores mimosas caíram na amplidão desvairando de solidão,
sustentaram os sóis a queimar no meu peito, e queimaram como tochas e incendiaram o castelo do pudor.
Meu peito ouvia ao longe gargalhadas indiferentes e como um túnel meu peito explodia de amor e melancolia e batia sufocado.
Raios incandecentes o abriam como feridas de sentimentos sentidos a roer o amor-verdade; e nas lágrimas escorriam a autenticidade do desespero, como se fora lágrimas de sangue.
Nas gotas da paixão, tantas lágrimas, tanto nada no infame peito a doer agora a realidade do desencontro, no sol tanto brilho, nos olhos tanta névoa, nos mares tantas ondas, no peito tanto sofrimento, nas noites tantos dias, nos dias tantas noites.
Na esmeralda da vida, quanto diamante falso, quanta incapacidade, no vento do oeste, quantas velas opostas a cainhar nos mares e quantos ventos batem arrancando os sentimentos, quantos pássaros a voarem , quanta liberdade, quanta vaidade, quantos sonhos e nenhuma realidade.
Beber é oque me resta, beber o vinho da saudade, beber neste vinho os momentos de infelicidades, e guardar no peito a marca do sofrimento, a marca da dor.
E eu volto a face solitária e tremo, vendo seu vulto desaparecer na extrema curva do caminho extremo.
(By-Hidelair Silva)(01/1981)