terça-feira, 4 de outubro de 2011

Soneto 79

O amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que doi e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer


É um não querer mais que bem querer
É um andar solitário entre a gente,
É nunca contentar-se de contente,
É um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade, 
É servir a quem vence, o vencedor, 
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade, Se tão contrário a si mesmo é o amor?
                                                                         (Luiz Vaz Camões)

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